sexta-feira, 29 de agosto de 2014

14 de fevereiro - de Villa Tunari a Cochabamba

Acordei, arrumei minhas coisas, paguei o pernoite e saí rápido daquela mofolândia. Fui procurar um lugar pra tomar café da manhã -- nem isso aquele hotelzinho mequetrefe oferecia -- e achei no mercado público.

-- pitoresco --

Resolvi bater um rango no Snack da Doña Epifania, só por causa do nome. E dos preços também.

-- Toddy con leche, jugo de plátano y sandwich de huevo: R$ 2,50 --

Saí de Villa Tunari por volta das nove da manhã. Era o menor trecho, praticamente só subir a montanha. Mas também era o pior trecho. Estrada cheia de curvas, mal conservada, cheia de caminhões...

-- ruta nacional 4 --

-- pirambeira --

Saí de uma altitude de 400 metros e fui para 2800 metros. Fiquei um pouco ofegante no começo, mas nada de tonturas ou falta de ar. Resolvi parar em um dos muitos restaurantes que ofereciam truta fresca. A vista era bem legal.

-- esperando o almoço --

Comi uma "trucha al ajo" e tomei um suco de laranja Del Valle. O suco até que era bom, mas a truta... foi um dos melhores peixes que eu já provei! Aliás, o prato dava pra duas pessoas tranquilamente, e eu gastei menos de 15 Reais.

-- é bom! --

-- "trucha al ajo" é o que há --

Fiquei por ali, vendo se a neblina ia embora pra fazer umas fotos da lagoa, mas não rolou. Em compensação, o dono do restaurante veio bater papo comigo, contou que morou em São Paulo nos anos 70, pediu pra eu tomar cuidado quando chegasse à fronteira, disse que Machu Picchu era maravilhoso etc. e tals. Me ofereceu um chá de coca pra ajudar na digestão e eu achei horrível. Mas realmente caiu bem, a comida baixou rapidinho. E eu segui viagem por mais uma hora até chegar aos arredores de Cochabamba.

-- aí o sol resolveu aparecer... --

O trânsito em Cochabamba era tão zuado quanto em Santa Cruz. O povo buzina o tempo todo, avançam sinal vermelho, não usam seta... Bem pior do que qualquer cidade que eu conheço no Brasil. Mas motociclista que é lactobacilo vivo se adapta e logo eu já estava pilotando como um boliviano nato.

O hostel era um pouco afastado do centro e -- adivinha! -- as ruas do bairro não tinham placas com nome! Cheguei bem próximo do local e fiquei zanzando, tentando achar a American International School of Bolivia -- olha que chique. Parei pra pedir informação, mas o sujeito não conhecia nenhum hostel por ali. Entretanto, o cara saiu do seu caminho, voltou uma quadra comigo, entrou em uma vendinha, se informou e me indicou o local certo. Muito prestativo. =)

Cheguei no hostel Cabañas Las Lilas por volta das 14 horas. Cheguei junto com um pessoal que estava hospedado lá. "Buenas tardes!" "Buenas tardes! Vosotros saben si el dueño del hostal está en casa?" "Sorry, we don't speak spanish!" =/

Entrei com os gringos e achei uma empregada do hostel, que me informou que Don Alex chegaria no fim da tarde, mas que eu poderia guardar a moto e tomar um banho, se eu quisesse [e eu queria]. Quando saí do banho, fui recebido por esse carinha:

-- Locoto, o sheepdog 'mucho loco' --

Fiquei tirando fotos do Locoto e mandando mensagens pra minha Preta até a hora que Don Alex chegou. Um sujeito muito amável, atencioso, me mostrou o hostel inteiro, se colocou à disposição pra me indicar passeios pela cidade, conversou um pouco comigo e foi cuidar de deixar a churrasqueira no jeito pros gringos usarem.

-- churrasqueira de responsa --

Comprei uma Coca-Cola no bar do hostel, conversei um pouco com os gringos -- um escocês, uma irlandesa, um casal de ingleses e um casal de suecos -- assisti a um filme com legendas em espanhol e fui dormir. No outro dia eu conheceria melhor o hostel e a cidade de Cochabamba [além de lavar umas roupas].

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