Acordei no Residencial Bolívar e fui tomar um banho. No caminho da ducha, olha quem eu encontrei:
-- Simón de Bolívar --
Esse é o Simón, a mascote do hostel. Ele fica solto ali, subindo nas camas, nas mesas, nas redes, roubando comida dos hóspedes...
-- Simón vs. Sr. Kyo --
Dá uma certa pena do tucano, que tem as penas das asas cortadas pra não fugir, mas não deixa de ser interessante ver um bicho desses solto, zanzando pra lá e pra cá no hostel.
O Sr. Kyo é o senhor japonês da foto acima, que não fala uma palavra de espanhol e tava viajando sozinho pela América do Sul. Conversamos em um inglês improvável, mas deu certo. Aproveitei pra confirmar o significado da minha tattoo em kanji.
-- não, não é "pastel 1 Real" --
Parecia que o sol apareceria a qualquer momento ali no pátio interno do hostel, mas foi só ilusão.
-- o lugar é bacana, mas a galera troca ideia até altas horas --
No momento que eu coloquei o pé na rua começou a chover e não parou mais. Quando já estava saindo da cidade lembrei de uma coisa que, na Bolívia, é extremamente importante para o turista: abastecimento. O tanque já estava com menos de um quarto e eu não achava um posto de gasolina. Pedi informação, me indicaram um bairro mais à frente, mas eu não achava o "surtidor". Resolvi parar pra pedir informação em uma venda e a moça me indicou a oficina mecânica ao lado. Os caras vendiam gasolina do galão! Paguei um pouco mais caro que o preço normal, mas bem mais barato que o preço para estrangeiros, um ótimo negócio.
A estrada de Santa Cruz de La Sierra até Villa Tunari não é grande coisa: tem muitos trechos sem acostamento e alguns buracos, mas é toda pavimentada, tem poucas curvas e é praticamente plana na maior parte do percurso. Diria que é regular, sem grandes problemas. Na verdade, os problemas que eu enfrentei nesse trecho foram a chuva e os motoristas bolivianos. Se o cara sai pra ultrapassar e vê que vem vindo uma moto no sentido contrário, ele continua numa boa: a moto que saia pro acostamento!
-- chuva, chuvisco, chuvarada --
Aliás, poucas motos andam na pista, a maioria são motos chinesas que mal chegam aos 80 km/h. E os bolivianos não usam o "casco" -- como eles chamam o capacete. Mas alguém já tinha me dito que um gringo sem capacete é pretexto pra propina, então...
Parei pra almoçar na beira da estrada, em uma bodeguinha com telhadinho de sapê, à companhia do Chiquitito.
-- telhadinho --
-- Chiquitito --
Escolhi comer um "surubi con maní", que nada mais é que um peixe com mandioca. Mas a simplicidade do prato não demonstra o sabor. Tava bom demais! E essa tal de Pop Cola também não é nada mal, pra falar a verdade.
-- arroz, peixe, mandioca, Pop Cola --
Segui viagem, sempre debaixo de chuva, e fui vendo a vegetação de cerrado se transformar em mata tropical, com as árvores ficando cada vez maiores. Cheguei a Villa Tunari às quatro da tarde. É um vilarejo na beira do rio, uma espécie de estância turística onde o pessoal vai para pescar, entrar em contato com a natureza, fazer rafting, essas coisas.
-- cheguei --
Corri atrás de uma hospedagem, pois esse era o único lugar que eu não havia conseguido pesquisar nada na Internet. Me indicaram um lugar quase em frente à praça principal, chamado Hostel Bibosi, dizendo que lá havia wi-fi. O fato é que não era um hostel, não havia wi-fi e o lugar tinha um cheiro de mofo terrível, todo úmido, zoado demais. "Bom, pra passar só uma noite tá bom, vai", pensei.
-- vista do hostel --
Tomei um banho e fui dar uma volta, pra ver se descolava uma lan house e um lugar pra jantar. Fui a uma lan house que cobrava cerca de R$ 0,70 por duas horas. Falei com a minha Preta e depois fui comer um "pique macho" -- um ensopado muito saboroso de carne, salsicha, linguiça, ovos, batatas, tomates, e cebolas -- e tomar uma Huari. Um bom jantar por cerca de 15 Reais.
-- a melhor cerveja da viagem --
Voltei pro hostel que não era hostel, ignorei o cheiro de mofo e adormeci assistindo Los Simpsons.