sábado, 20 de dezembro de 2014

16 de fevereiro - de Cochabamba a... Cochabamba mesmo

Problemas técnicos [também conhecido por "excesso de trampo"] me afastaram por 104 dias do blog, Sei que tem meia dúzia de três ou quatro acompanhando os relatos, então... me desculpem!

Acordei no domingo bem cedo pra partir pra La Paz. Recolhi o resto de roupa que estava secando no varal, arrumei as coisas na moto, tomei um café reforçado e, às 8h30 eu já estava me despedindo dos gringos e do Don Alex, que me recebeu tão bem em seu hostel. Trepei na moto e:


Éééé, meus amigos... a moto não ligava. Aliás, o painel nem acendia. =(

Pleno domingão ensolarado, nenhum mecânico aberto, o jeito foi desfazer as malas, desmontar a bateria da moto e aproveitar mais um dia na aprazível Cochabamba. Depois do almoço, saí do hostel e fui caminhando até o centro da cidade, que ficava a uns 8 km do hostel, e encontrei bastante coisa.

Encontrei [e comi] huminta, a pamonha boliviana, que é igualzinha à nossa.

Encontrei pichações e mensagens que me fizeram rir:



Encontrei uma rua que mandaram ladrilhar [embora não fosse com pedrinhas de brilhante]:


Encontrei bairros com portais:




Encontrei carros tunados:


Encontrei cachorros miméticos:


Encontrei uns busão loko bagarai:


Encontrei um plágio do antigo Unibanco:


Encontrei o estádio municipal em dia de vitória de um dos clubes locais, o Club Aurora:


Encontrei uma parrillada completa por R$ 7,50:


Encontrei estátuas dos mártires da independência, como esta do Simón Bolívar:


Encontrei alamedas arborizadas:



Encontrei praças e igrejas:


Encontrei também muitas "cholas" -- aquelas índias em trajes típicos -- e conversei com muitas pessoas nesse caminho. Ao contrário do que me disseram, os cochabambinos são muito simpáticos, muito acessíveis e, principalmente, muito prestativos.

No fim da tarde eu já tava cansadão e peguei um ônibus 'mutcho loco', igual ao da foto acima, pra voltar ao hostel. Ainda tive tempo de entrar em um supermercado e ouvir na rádio uma música que já fez muito sucesso por aqui:



Jantei Chips Ahoy!, que é o nome da Chocooky por lá. O pacote custa pouco mais de dois Reais. =D


Joguei paciência, li um pouco e fui dormir cedo, ansioso por dar um jeito na bateria da moto no dia seguinte.

domingo, 7 de setembro de 2014

15 de fevereiro - Cochabamba

Resolvi passar o sábado em Cochabamba, porque viajar só com uma mochila de ataque exige que se lave umas roupas de vez em quando. Também pensei em passar um dia inteiro a 2500 metros de altitude antes de seguir pros 3600 metros de La Paz. Felizmente, em Cochabamba eu não estava sentindo os efeitos da altitude. =)

O Cabanãs de Las Lilas é amplo e bem confortável. O grande saguão, com mesa de sinuca, sofás, pufes, TV, lareira, livros e um bar, convida os hóspedes a permanecerem mais tempo no local, trocar ideias e tornar a viagem uns dos outros em uma experiência mais cosmopolita.

-- saguão, lado direito --

-- saguão, lado esquerdo --

O lado de fora é beeeeeem grande. Um gramadão enorme, com um playground, uma área de descanso coberta, uns apetrechos pra ginástica e muitas plantas, além de uma piscininha que estava vazia [em obras].

-- playground no 1º plano, dormitórios ao fundo --

-- dormitório da Helga --

-- bom pra dar uma relaxada --

-- piscininha --

-- relaxando --

-- dormitório à esquerda, banheiros à direita --

-- olha o tamanho desse gramado... --

-- o dormitório onde fiquei --

Depois de tomar um café da manhã simples -- mas muito gostoso -- e trocar ideia com um grupo de maratonistas chilenos que estavam treinando na altitude pra chegar na próxima prova com mais gás, lavei minhas roupas, li um pouco e fiquei fotografando o hostel e os arredores. Um diazinho relaxante, mesmo.


-- "trago esta rooooosa..." --

-- lendo um livro na companhia do Locoto --

-- essa flor que abre de manhã e fecha à noite tem aos montes por ali --

-- passa uma estradinha e um córrego do lado do hostel --

-- florzinhas --

-- mais florzinhas --

-- mais florzinhas ainda --

-- é, eu curto flores, mesmo... --

-- bêia --

-- Locotão, de novo --

Andando pelos arredores, encontrei uns escoadouros de água com umas comportas nas calçadas. Quando voltei ao hostel, perguntei ao D. Alex qual era a função disso e ele me explicou que como a região é montanhosa e o bairro -- por ser afastado -- tem pequenas propriedades que cultivam milho, trigo e outras culturas, essas comportas ajudam a direcionar as águas para as plantações e evitar que as ruas fiquem inundadas nas épocas de chuva.

-- e o negócio funciona mesmo! --

Em frente ao hostel tinha uma típica vendinha boliviana. Nesses estabelecimentos, o cliente não entra: tem uma campainha que você toca e o dono vem te atender ali por uma janelinha. Essa, em especial, ficava abaixo do nível da rua, então as pessoas têm que ficar agachadas pra conseguir falar com os proprietários.

-- ninguém se incomoda de ficar agachado em frente à vendinha --

Comprei um pacote de macarrão e uns ovos na vendinha. Durante o jantar, fiquei batendo papo com um casal muito simpático que estava hospedado por ali: um senhor estadunidense e uma senhora peruana. Os dois se conheceram e se casaram quando moravam em Cochabamba, depois se mudaram para uma cidade costeira em Connecticut, EUA, mas vêm todo ano para a América do Sul, visitar parentes no Peru e amigos na Bolívia. Agora pasmem: me disseram que morrem de vontade de conhecer o Brasil, mas que ainda não vieram porque é um país muito caro!

Depois dessa, fui deitar e conversar um pouco com a minha Preta antes de dormir, pois no outro dia eu partiria para La Paz.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

14 de fevereiro - de Villa Tunari a Cochabamba

Acordei, arrumei minhas coisas, paguei o pernoite e saí rápido daquela mofolândia. Fui procurar um lugar pra tomar café da manhã -- nem isso aquele hotelzinho mequetrefe oferecia -- e achei no mercado público.

-- pitoresco --

Resolvi bater um rango no Snack da Doña Epifania, só por causa do nome. E dos preços também.

-- Toddy con leche, jugo de plátano y sandwich de huevo: R$ 2,50 --

Saí de Villa Tunari por volta das nove da manhã. Era o menor trecho, praticamente só subir a montanha. Mas também era o pior trecho. Estrada cheia de curvas, mal conservada, cheia de caminhões...

-- ruta nacional 4 --

-- pirambeira --

Saí de uma altitude de 400 metros e fui para 2800 metros. Fiquei um pouco ofegante no começo, mas nada de tonturas ou falta de ar. Resolvi parar em um dos muitos restaurantes que ofereciam truta fresca. A vista era bem legal.

-- esperando o almoço --

Comi uma "trucha al ajo" e tomei um suco de laranja Del Valle. O suco até que era bom, mas a truta... foi um dos melhores peixes que eu já provei! Aliás, o prato dava pra duas pessoas tranquilamente, e eu gastei menos de 15 Reais.

-- é bom! --

-- "trucha al ajo" é o que há --

Fiquei por ali, vendo se a neblina ia embora pra fazer umas fotos da lagoa, mas não rolou. Em compensação, o dono do restaurante veio bater papo comigo, contou que morou em São Paulo nos anos 70, pediu pra eu tomar cuidado quando chegasse à fronteira, disse que Machu Picchu era maravilhoso etc. e tals. Me ofereceu um chá de coca pra ajudar na digestão e eu achei horrível. Mas realmente caiu bem, a comida baixou rapidinho. E eu segui viagem por mais uma hora até chegar aos arredores de Cochabamba.

-- aí o sol resolveu aparecer... --

O trânsito em Cochabamba era tão zuado quanto em Santa Cruz. O povo buzina o tempo todo, avançam sinal vermelho, não usam seta... Bem pior do que qualquer cidade que eu conheço no Brasil. Mas motociclista que é lactobacilo vivo se adapta e logo eu já estava pilotando como um boliviano nato.

O hostel era um pouco afastado do centro e -- adivinha! -- as ruas do bairro não tinham placas com nome! Cheguei bem próximo do local e fiquei zanzando, tentando achar a American International School of Bolivia -- olha que chique. Parei pra pedir informação, mas o sujeito não conhecia nenhum hostel por ali. Entretanto, o cara saiu do seu caminho, voltou uma quadra comigo, entrou em uma vendinha, se informou e me indicou o local certo. Muito prestativo. =)

Cheguei no hostel Cabañas Las Lilas por volta das 14 horas. Cheguei junto com um pessoal que estava hospedado lá. "Buenas tardes!" "Buenas tardes! Vosotros saben si el dueño del hostal está en casa?" "Sorry, we don't speak spanish!" =/

Entrei com os gringos e achei uma empregada do hostel, que me informou que Don Alex chegaria no fim da tarde, mas que eu poderia guardar a moto e tomar um banho, se eu quisesse [e eu queria]. Quando saí do banho, fui recebido por esse carinha:

-- Locoto, o sheepdog 'mucho loco' --

Fiquei tirando fotos do Locoto e mandando mensagens pra minha Preta até a hora que Don Alex chegou. Um sujeito muito amável, atencioso, me mostrou o hostel inteiro, se colocou à disposição pra me indicar passeios pela cidade, conversou um pouco comigo e foi cuidar de deixar a churrasqueira no jeito pros gringos usarem.

-- churrasqueira de responsa --

Comprei uma Coca-Cola no bar do hostel, conversei um pouco com os gringos -- um escocês, uma irlandesa, um casal de ingleses e um casal de suecos -- assisti a um filme com legendas em espanhol e fui dormir. No outro dia eu conheceria melhor o hostel e a cidade de Cochabamba [além de lavar umas roupas].

terça-feira, 19 de agosto de 2014

13 de fevereiro - de Santa Cruz de la Sierra a Villa Tunari

Acordei no Residencial Bolívar e fui tomar um banho. No caminho da ducha, olha quem eu encontrei:

-- Simón de Bolívar --

Esse é o Simón, a mascote do hostel. Ele fica solto ali, subindo nas camas, nas mesas, nas redes, roubando comida dos hóspedes...

-- Simón vs. Sr. Kyo --

Dá uma certa pena do tucano, que tem as penas das asas cortadas pra não fugir, mas não deixa de ser interessante ver um bicho desses solto, zanzando pra lá e pra cá no hostel.

O Sr. Kyo é o senhor japonês da foto acima, que não fala uma palavra de espanhol e tava viajando sozinho pela América do Sul. Conversamos em um inglês improvável, mas deu certo. Aproveitei pra confirmar o significado da minha tattoo em kanji.

-- não, não é "pastel 1 Real" --

Parecia que o sol apareceria a qualquer momento ali no pátio interno do hostel, mas foi só ilusão.

-- o lugar é bacana, mas a galera troca ideia até altas horas --

No momento que eu coloquei o pé na rua começou a chover e não parou mais. Quando já estava saindo da cidade lembrei de uma coisa que, na Bolívia, é extremamente importante para o turista: abastecimento. O tanque já estava com menos de um quarto e eu não achava um posto de gasolina. Pedi informação, me indicaram um bairro mais à frente, mas eu não achava o "surtidor". Resolvi parar pra pedir informação em uma venda e a moça me indicou a oficina mecânica ao lado. Os caras vendiam gasolina do galão! Paguei um pouco mais caro que o preço normal, mas bem mais barato que o preço para estrangeiros, um ótimo negócio.

A estrada de Santa Cruz de La Sierra até Villa Tunari não é grande coisa: tem muitos trechos sem acostamento e alguns buracos, mas é toda pavimentada, tem poucas curvas e é praticamente plana na maior parte do percurso. Diria que é regular, sem grandes problemas. Na verdade, os problemas que eu enfrentei nesse trecho foram a chuva e os motoristas bolivianos. Se o cara sai pra ultrapassar e vê que vem vindo uma moto no sentido contrário, ele continua numa boa: a moto que saia pro acostamento!

-- chuva, chuvisco, chuvarada --

Aliás, poucas motos andam na pista, a maioria são motos chinesas que mal chegam aos 80 km/h. E os bolivianos não usam o "casco" -- como eles chamam o capacete. Mas alguém já tinha me dito que um gringo sem capacete é pretexto pra propina, então...

Parei pra almoçar na beira da estrada, em uma bodeguinha com telhadinho de sapê, à companhia do Chiquitito.

-- telhadinho --

-- Chiquitito --

Escolhi comer um "surubi con maní", que nada mais é que um peixe com mandioca. Mas a simplicidade do prato não demonstra o sabor. Tava bom demais! E essa tal de Pop Cola também não é nada mal, pra falar a verdade.

-- arroz, peixe, mandioca, Pop Cola --

Segui viagem, sempre debaixo de chuva, e fui vendo a vegetação de cerrado se transformar em mata tropical, com as árvores ficando cada vez maiores. Cheguei a Villa Tunari às quatro da tarde. É um vilarejo na beira do rio, uma espécie de estância turística onde o pessoal vai para pescar, entrar em contato com a natureza, fazer rafting, essas coisas.

-- cheguei --

Corri atrás de uma hospedagem, pois esse era o único lugar que eu não havia conseguido pesquisar nada na Internet. Me indicaram um lugar quase em frente à praça principal, chamado Hostel Bibosi, dizendo que lá havia wi-fi. O fato é que não era um hostel, não havia wi-fi e o lugar tinha um cheiro de mofo terrível, todo úmido, zoado demais. "Bom, pra passar só uma noite tá bom, vai", pensei.

-- vista do hostel --

Tomei um banho e fui dar uma volta, pra ver se descolava uma lan house e um lugar pra jantar. Fui a uma lan house que cobrava cerca de R$ 0,70 por duas horas. Falei com a minha Preta e depois fui comer um "pique macho" -- um ensopado muito saboroso de carne, salsicha, linguiça, ovos, batatas, tomates, e cebolas -- e tomar uma Huari. Um bom jantar por cerca de 15 Reais.

-- a melhor cerveja da viagem --

Voltei pro hostel que não era hostel, ignorei o cheiro de mofo e adormeci assistindo Los Simpsons.