sexta-feira, 8 de agosto de 2014

11 de fevereiro - de Campo Grande a Puerto Quijarro

Acordei às 7h, tomei um café da manhã de campeão e recebi alguns conselhos da D. Leda, que incluía eu desistir da ideia de atravessar a Bolívia de moto. É muito perigoso, eu deveria deixar a moto em Corumbá, comprar um pacote de viagens para ir até Machu Picchu e... Não, D. Leda, obrigado pela preocupação, mas eu vou é de moto mesmo! =D

Por volta das 8h30 eu segui viagem rumo ao Pantanal. Ali pelas 11h eu cheguei em Aquidauana, conhecida como o Portal do Pantanal.

-- a paisagem muda muito daqui pra frente --

Toquei em frente, até a estrada começar a ficar ruim. Começou a demorar demais pra chegar, eu calculava chegar em Corumbá por volta das 13h, mas o rio Paraguai não chegava nunca. Finalmente, às duas da tarde eu cheguei à ponte, um cenário incrível, bem a cara do pantanal. Aliás, essa ponte é o melhor lugar pra tirar fotos, mas não há como parar no meio e eu terminei me satisfazendo em guardar tudo na memória.

-- eu achava que a região do pantanal fosse feita só planícies --

Cheguei em Corumbá pouco antes das três da tarde e fui direto procurar o posto da Anvisa pra emitir meu Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia. São poucos os lugares que emitem esse certificado, e como Corumbá estava no caminho, optei por emitir por lá mesmo.

-- chegando em Corumbá --

Como as burocracias da Anvisa foram relativamente rápidas, fui pra fronteira, bati o carimbo de saída no lado brasileiro e fui pra Puerto Suarez carimbar a entrada na Bolívia.

Aí, o policial que fazia a segurança da aduana viu a minha moto e ficou me pedindo pra dar uma volta. Até que ele disse que se eu deixasse ele dar um rolezinho, ele me passaria na frente do pessoal ali pra carimbar meu passaporte. Ele foi. E eu fiquei com o c**inho na mão.

E eu tava "puta que o pariu, bem que a D. Leda falou, esse maluco vai sumir com a minha moto, essa funcional que ele deixou é falsa, o que eu faço agora..." e de repente eu escuto "que máquina, hã!" Era ele, que já tinha voltado e deixado a moto no jeito pro pessoal da aduana registrar a entrada dela no país.

O maluco agilizou minha entrada do jeitinho que prometeu, me desejou boa viagem, me deu dicas sobre compra de gasolina e a verdade é que todo mundo ali na fronteira foi muito solícito, bem diferente do que muitos vinham dizendo.

Da aduana eu precisava ir até a polícia da cidade de Puerto Quijarro -- que é colada ali na fronteira -- para que eles emitissem uma autorização para rodar com a moto dentro da Bolívia. Fui superbem recebido ali também, mas me cobraram 50 Bolivianos -- uns 17 Reais -- por um documento que deveria ser gratuito. Foi a primeira propina da viagem. Pelo menos deixaram meu nome mais "espanholado".

-- foi só entrar na Bolívia que meu sobrenome virou López --

Saí da polícia e fui pro hotel Jardin de Bibosi. O único hostel na região é em Corumbá, e ele era mais caro do que o hotel em Puerto Quijarro -- 40 e 33 Reais, respectivamente. No hotel fui recebido pela Doña Blanca, uma senhora muito simpática e solícita. Pra me poupar tempo no dia seguinte, ela me trocou duzentos dólares na cotação oficial -- 1 dólar por 6,90 bolivianos --, bem mais vantajoso que a cotação dos cambistas.

Aproveitei que ainda era cedo -- umas cinco da tarde -- e fui lubrificar e esticar a corrente da motoca. Depois do banho eu fui bater aquele rango, e comi um silpancho cochabambino, que nada mais é do que arroz, bife à milanesa, ovo frito, batatas fritas e vinagrete -- tudo muito parecido com a nossa cozinha caseira. Também provei uma Paceña, cerveja fabricada na região de La Paz, uma pilsen muito boa por sinal.

-- é boa mesmo, põe as brahmas e antarcticas no chinelo --

Na nossa moeda, esse rango com a cerveja e uma garrafa de dois litros de água saiu pela bagatela de 12 Reais. Dormi satisfeito.

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